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Sementes de Paricá

Angiospermae - Fabaceae - Caesalpinioideae (Leguminoseae)

Schizolobium amazonicum. Huber ex Ducke

Nomes Populares

canafista, canafístula e fava-canafístula, guapuruvu-da-amazônia, paricá-da-amazônia, paricá-da-terra-firme e pinho-cuiabano, faveira, paricá e paricá-grande, bandarra. Na Bolívia é conhecido como cerebó e na Colômbia como tambor. Na Costa-Rica como gavilán, Equador como pachaco, México palo de judío e palo de picho e no Peru pashaco. Nome comercial internacional: quamwood

Ocorrência

Ocorre em toda a Amazônia brasileira, no Peru e na Colômbia e sua madeira é utilizada para laminação em Mato Grosso e Rondônia

Morfologia

árvore Pioneira, Decídua. As árvores maiores atingem dimensões próximas de 40 m de altura e 100 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta. Tronco: é bem formado e reto. Nas árvores jovens, o tronco tem coloração verde acentuada e com cicatrizes transversais deixadas pela queda das folhas. As vezes, apresenta sapopemas basais. O fuste mede até 25 m de comprimento. Ramificação: é dicotômica. A copa é galhosa, aberta e obovóide formando uma abóbada perfeita.

Solos:

No Pará, sua ocorrência natural limita-se a determinadas regiões de solos argilosos de fertilidade química alta e sujeitos a compactação. Em Mato Grosso, ocorre em solos de baixa fertilidade química, com Ph em água 4,5, com baixos teores de K (potássio) e P (fósforo). Na Bolívia, essa espécie ocorre, naturalmente, em solos geralmente jovens de origem aluvial que se caracterizam por possuir uma baixa fertilidade natural, baixo conteúdo de matéria orgânica, pH entre 3,7 e 5,5 e baixa capacidade de troca catiônica com níveis de saturação de Al (alumínio) entre 70 % a 80 %

Imagens em fase Adulta

Produção:

O paricá vem sendo plantado comercialmente em áreas de terra firme, em torno de 20.000 ha, no Acre, em Mato Grosso, no Pará e em Rondônia. Em Mato Grosso, o plantio dessa espécie teve seu incremento na década de 1990, e concentrou-se na região norte, sendo sua madeira utilizada pelas indústrias de compensados. Contudo, os plantios comerciais são muito heterogêneos e irregulares e, aparentemente, os resultados obtidos, não são satisfatórios. Nos projetos de reposição florestal, no Estado do Pará, registrados no Ibama de 1976 a 1996, o paricá foi a espécie mais utilizada na reposição, sendo plantada por 38 % das empresas. Com rápido crescimento, apresenta incrementos em altura e diâmetro capazes de possibilitar sua exploração já aos 15 anos de idade. Árvores com 18 meses de idade apresentaram 4 m de altura e 10 cm de DAP. De crescimento ainda mais rápido que o morototó (Schefflera morototoni). Rondon (2000), avaliando 30 espécies florestais com 54 meses de idade, constatou que essa espécie destacou-se em crescimento e em forma de plantio. Schizolobium amazonicum apresenta crescimento rápido, podendo atingir uma produção volumétrica de até 38 m3.ha-1.ano-1 aos seis anos de idade, em Dom Elizeu, no Pará.

Madeira

Massa específica aparente (densidade): a madeira do paricá é leve a moderadamente densa (0,30 g.cm-3 a 0,62 g.cm-3) (PAULA, 1980; RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE MARTINA, 1996). Cor: o alburno é diferenciado do cerne, com uma zona de transição gradual. O alburno é de cor cremeamarelado e o cerne é de cor marrom-claro. Características gerais: lustre ou brilho: mediano; grã: algo entrecruzada; textura: grossa a média; aparência: pouco definida, com linhas verticais (RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE MARTINA, 1996). Durabilidade natural: a madeira dessa espécie é suscetível ao ataque biológico, sendo recomendada a ser preservada. Trabalhabilidade: madeira fácil de ser trabalhada. Outras características: a descrição anatômica da madeira dessa espécie pode ser encontrada em Paula (1980) e em Rodriguez Rojas & Sibille Martina (1996).

Foto ilustrativa da madeira

Utilidades da madeira:

Madeira serrada e roliça: essa espécie é bastante utilizada na produção de lâminas médias ou miolo de compensados, brinquedos, caixotaria leve, portas e parquete. No Pará, são produzidas chapas de compensados de alta qualidade e uniformidade, que são exportados e principalmente para os Estados Unidos, conquistando a preferência dos importadores. Energia: produz lenha de qualidade razoável. Celulose e papel: o paricá é uma espécie promissora para a produção de pasta para celulose, destacando-se seu fácil branqueamento e as excelentes resistências obtidas com o papel branqueado. Apresenta alto teor de lignina (34,70 %), mas pode ser facilmente deslignificada.

Informações Complementares

A cultura do pinho-cuiabano vem despertando interesse entre produtores rurais e madeireiros devido ao valor comercial da madeira para a produção de laminados de excelente qualidade, como também pelo crescimento rápido da espécie, principalmente nos primeiros anos. Devido a esse fato, têm sido constatados plantios homogêneos nos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia. Esta espécie é recomendada, também, para restauração de ambientes ripários em locais não sujeitos a inundação.

Fonte

Embrapa - ISSN 1517-5278